“Não temos uma receita única. O importante é que cada prefeitura tome a decisão de iniciar o processo de evolução – que passa pela transição energética, pela inovação tecnológica, pela descarbonização, pela adaptação às novas condicionantes climáticas, e até mesmo pela simples conscientização e engajamento das pessoas”. Com esse alerta, Clarice Degani, diretora executiva do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) deu início ao evento “Cidades eficientes e o papel das prefeituras brasileiras”, realizado nesta quarta-feira (19.02), no formato híbrido, marcando o encerramento da quinta fase do Programa Cidades Eficientes, desenvolvido pelo CBCS com o apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS). O evento está disponível na íntegra no canal do CBCS no YouTube.

Ao citar as diferentes ações desenvolvidas em parceria com os municípios atendidos nesta quinta fase do programa – Florianópolis, Rio de Janeiro, Palmas, Rio do Sul e Teresina – Clarice destacou a importância da governança municipal. “Ao observar as cidades que já adotaram iniciativas bem-sucedidas, percebemos que a liderança municipal é fundamental. Quando a prefeitura assume o protagonismo, estabelecendo metas e orquestrando ações com o setor público, o setor privado e a sociedade civil, ela se torna exemplo não apenas para a população local, mas também para outros municípios, estados e, eventualmente, para outros países. Com uma governança clara, recursos bem aplicados e transparência nos resultados, podemos acelerar a transição energética local e, ao mesmo tempo, contribuir para os compromissos climáticos do Brasil”, reforçou.

Clarice Degani, diretora executiva do CBCS

Entre as principais ações desta quinta fase do programa esteve a implementação da plataforma digital de Gestão de Consumo de Energia e Água para edificações públicas municipais. A ferramenta viabiliza o gerenciamento dos indicadores de consumo de energia, água e gás dos edifícios públicos, seus custos mensais e desempenhos em função da tipologia, área construída e ocupação. Seu uso permite o estabelecimento de benchmarks internos e comparativos entre os vários edifícios das prefeituras.  “A plataforma oportuniza mais eficiência na gestão, menos consumo de água e de energia, mais consciência ambiental e mais economia aos cofres públicos”, destacou a arquiteta Maria Andrea Triana, coordenadora técnica do Programa Cidades Eficientes. Durante o evento, foram apresentados os resultados de cada eixo do programa – Gestão de Consumo, Capacitação e Políticas Públicas, com a participação das pesquisadoras do programa Giselle Bahiense Lyra, Juliana May Sangoi e  Carolina Griggs.

 

Maria Andrea Triana, coordenadora técnica do Programa Cidades Eficientes

 

“Liderar pelo exemplo”

Para Daniel Mancebo, coordenador geral do Escritório de Planejamento da Prefeitura do Rio de Janeiro, o trabalho desenvolvido em parceria com o CBCS cria oportunidades de desdobramentos importantes, alinhados com o compromisso da cidade de neutralizar suas emissões até 2050. “Precisamos realmente implementar estratégias específicas para que as edificações sejam mais eficientes, entendendo que isso tem um impacto direto nas emissões da cidade. As prefeituras podem liderar pelo exemplo, dizer como fazer melhor. E também trazer o aspecto econômico que é indissociável. Temos que economizar recursos públicos para outras estratégias da cidade, como questões sociais e questões urbanas”, disse.

Florianópolis, primeiro município brasileiro a implementar a plataforma de Gestão de Consumo de Energia e Água do CBCS, avançou no aprimoramento da ferramenta e em outras iniciativas. “Nós estamos há sete anos trabalhando juntos. A gente construiu, inclusive, uma área dentro da prefeitura que já trabalha com a parte de inovação e sustentabilidade urbana que não tínhamos e isso é uma construção. Hoje, talvez, os gestores já entendam um pouco melhor a importância desse trabalho da eficiência energética, do uso da água, da sustentabilidade nos prédios públicos e tudo isso, como pontos importantíssimos, buscando a mitigação da emissão de gases de efeito estufa e a melhoria para todo o planeta”, disse Cibele Assmann, gerente de inovação da Secretaria Municipal de Planejamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano de Florianópolis (SC). Ela fez questão de agradecer à equipe do CBCS pela oportunidade. “Aqui no evento vocês puderam ver um pouquinho de um trabalho de excelência e que não é comum a gente ter acesso dentro das prefeituras, podendo aplicá-lo no nosso trabalho técnico e nas políticas públicas”, destacou.

Para os municípios beneficiados pelo Workshop Mais Eficiência, Menos Consumo, de capacitação e orientação para implementação da plataforma, a experiência foi enriquecedora. “Algo que nos incentivou e trouxe um olhar mais crítico foi a questão da implantação dessa política e visão de gestão de consumo que precisamos estar mais atentos (…) Quando a gente não enxerga o quanto está gastando, acaba se despreocupando um pouco. (…) Eu acredito que a plataforma vem para nos ajudar nesse sentido, vamos conseguir gerenciar melhor os nossos consumos e, consequentemente, conseguir reduzir os nossos gastos”, afirmou Raquel Ribeiro das Virgens, da Secretaria Municipal da Habitação de Palmas (TO).

Para Carolina Bini, do Departamento de Urbanismo da Prefeitura de Rio do Sul (SC), foi muito importante para a cidade a discussão sobre a necessidade de eficiência energética, de troca de equipamentos, do cálculo do custo-benefício de equipamentos e, com isso, a redução de custos.  “A plataforma ainda está em desenvolvimento e tomara que continue, mas já houve evolução aqui na cidade em relação ao entendimento de que a sustentabilidade precisa estar em pauta, precisa ser uma prioridade inclusive entre as secretarias”, frisou.  Os desafios de levantamento e cadastramento do estoque de edifícios públicos municipais e, especialmente, de coleta dos dados de consumo de cada unidade junto às concessionárias foram apontados por todos os participantes. “Foi justamente com a ajuda da equipe do CBCS que a gente conseguiu. Estavam sempre nos apoiando e foi muito gratificante”, disse Roberto Santos, de Teresina (PI).

 

Raquel Ribeiro das Virgens, de Palmas (TO), Carolina Bini, da Prefeitura de Rio do Sul (SC) e Roberto Santos, de Teresina (PI).

Expectativa de continuidade

Apesar da conclusão da quinta fase do Programa Cidades Eficientes, ele deverá manter a sua continuidade. “Embora o apoio do iCS esteja chegando ao fim, o Programa Nacional de Conservação de Energia e o Ministério de Minas e Energia se interessaram muito por ele devido ao sucesso e a replicabilidade entre as prefeituras e devem continuar nos apoiando”, anunciou Roberto Lamberts, conselheiro e coordenador do CT Energia do CBCS, durante o evento. Na sequência, Victoria Santos, Gerente de Energia e Indústria no iCS, comemorou a notícia. “A gente se sente com dever cumprido, quando vê o tamanho que alcançou o Programa Cidades Eficientes, os resultados, a formação dos atores de municípios importantes (…). Esse projeto precisa continuar (…) precisa ser escalado para mais prefeituras”, enfatizou.

 

O evento foi realizado na Arena Conecta, na sede da Aemflo/CDL em São José (SC), e contou com transmissão ao vivo pelo canal do CBCS no YouTube: @cbcsconstrucaosustentavel.

 

Clique e assista na íntegra. 

 

Sobre o Programa Cidades Eficientes

Realizado pelo CBCS com o apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), o programa Cidades Eficientes desenvolve análises, estudos, ferramentas e sugere políticas públicas tais como a plataforma de gestão de consumo de energia e água, diretrizes para a elaboração de códigos de energia, recomendações para códigos de obras e guias de compras públicas que sejam mais sustentáveis para os municípios. As ações foram iniciadas em 2018, respondendo à demanda crescente do setor público para aumentar sua eficiência no uso dos recursos, com diversos municípios brasileiros atendidos.

Em 2024, em sua quinta fase, o programa escalou nacionalmente estratégias para a governança na gestão do consumo de energia, água e gás pelas edificações públicas municipais, com o Workshop Mais Eficiência, Menos Consumo – que resultou na implementação da plataforma de gestão pelas prefeituras de Palmas (TO), Rio do Sul (SC) e Teresina (PI); deu continuidade nas medidas iniciadas nas prefeituras de Florianópolis e do Rio de Janeiro, promoveu requisitos para compras de baixo carbono, e divulgou os resultados alcançados na promoção da eficiência energética e conservação da água nas edificações.

Entre as ações de 2024, também foi realizada uma Gincana Energética na Escola Municipal Vicente Licínio Cardoso, localizada na Praça Mauá, no Rio de Janeiro, envolvendo funcionários, professores, alunos, especialistas do CBCS e representantes da ENBPar – empresa executora do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel/MME), e identificou muitas oportunidades de melhoria da eficiência. Foram realizadas pesquisas nas escolas municipais de Florianópolis, Palmas e Teresina para identificação de oportunidades de eficiência energética e redução do consumo de água em relação a equipamentos, estrutura, manutenção e hábitos e produzidos dois guias com diretrizes para a gestão de energia e água nas escolas municipais. E ainda foi publicada uma carta aos candidatos aos cargos de prefeito e vereador das cidades brasileiras nas eleições de 2024 com propostas de medidas para o alcance de cidades mais sustentáveis e eficientes.

 

Equipe do Cidades Eficientes: Liége Garlet, pesquisadora; Clarice Degani, diretora executiva do CBCS; Olavo Kucker Arantes, conselheiro do CBCS; Maria Andrea Triana, coordenadora técnica do programa; Carolina Griggs, pesquisadora; Giselle Lyra, pesquisadora; Juliana May Sangoi, pesquisadora; Thalita Maciel, pesquisadora; e Letícia Wilson, assessora de comunicação.

 

Fotos: Fernando Willadino | CBCS 

No próximo dia 19 de fevereiro, das 9h30 às 11h30, o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) realizará o evento de encerramento da Fase V do Programa Cidades Eficientes. Na programação está a apresentação dos resultados das ações desenvolvidas durante o ano de 2024 nos municípios atendidos pelas mais diversas iniciativas: Florianópolis (SC), Rio de Janeiro (RJ), Palmas (TO), Teresina (PI) e Rio do Sul (SC).

O evento será realizado na Arena Conecta, na sede da Aemflo/CDL em São José (SC) e terá transmissão ao vivo pelo canal do CBCS no YouTube: @cbcsconstrucaosustentavel.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo Formulário On-line, indicando o tipo de participação: presencial ou on-line.

 

Sobre o Cidades Eficientes

Realizado pelo CBCS com o apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), o programa Cidades Eficientes desenvolve análises, estudos, ferramentas e sugere políticas públicas tais como a plataforma de gestão de consumo de energia e água, diretrizes para a elaboração de códigos de energia, recomendações para códigos de obras e guias de compras públicas que sejam mais sustentáveis para os municípios.

As ações foram iniciadas em 2018, com a primeira fase, respondendo à demanda crescente do setor público para aumentar sua eficiência no uso dos recursos, com diversos municípios brasileiros atendidos. Em 2024, em sua quinta fase de operação, o Cidades Eficientes escalou nacionalmente estratégias para a governança na gestão do consumo de energia, água e gás pelas edificações públicas municipais, com a realização do Workshop Mais Eficiência, Menos Consumo – que resultou na implementação da plataforma de gestão das edificações públicas  pelas prefeituras de Palmas (TO), Rio do Sul (SC) e Teresina (PI); deu continuidade nas medidas iniciadas nas prefeituras de Florianópolis e do Rio de Janeiro, promoveu requisitos para compras de baixo carbono em edificações públicas, e divulgou os resultados alcançados na promoção da eficiência energética e conservação da água nas edificações.

Entre as ações foram realizadas pesquisas nas escolas municipais de Florianópolis, Palmas e Teresina, e foi publicada uma carta aos candidatos aos cargos de prefeito e de vereador das cidades brasileiras nas eleições de 2024 com propostas para inclusão em seus programas de governo de medidas para o alcance de cidades mais sustentáveis e eficientes.

 

O Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) apresentou os resultados das ações realizadas em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro em 2024, na quinta fase do Programa Cidades Eficientes. Gestão, Capacitação e Políticas Públicas nortearam os trabalhos realizados ao longo do último ano pelo programa, desenvolvido pelo CBCS com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS).

Entre os resultados, está a ampliação das bases de dados consolidadas das edificações municipais na nova versão da plataforma de gestão de consumo de energia e de água do CBCS implementada pelo município já em 2023, a realização de uma terceira gincana energética para verificação de oportunidades de eficientização em uma escola e a entrega de um guia com diretrizes para escolas eficientes.

A prefeitura do Rio de Janeiro possui mais de 2.300 edificações e o consumo de energia e de água desses prédios representa um custo na ordem de R$ 250 milhões (dado de 2023), de acordo com Daniel Mancebo, Coordenador Geral do Escritório de Planejamento da Prefeitura do Rio de Janeiro. Por isso, a atualização da Plataforma de Gestão foi tão relevante. A ferramenta explora os indicadores de consumos de energia e de água, os custos mensais das edificações e mede seus desempenhos por tipologia, área construída e ocupação. Seu uso permite o estabelecimento de benchmarks internos e viabiliza a comparação do desempenho entre os edifícios da prefeitura.

 

Daniel Mancebo destaca a relevância do programa para a Prefeitura do Rio, enfatizando que atende a perspectiva de neutralização das emissões de gases do efeito estufa até 2050, que é um compromisso do Rio de Janeiro. “Trabalhar esse tema foi extremamente importante. Ele está alinhado com a perspectiva de neutralizar as emissões da cidade, uma gestão ágil e, consequentemente, tem um aspecto relevante também de economia de recursos públicos”, afirma. Segundo ele, o programa foi “extremamente importante por trazer método, pragmatismo e novas formas de acompanhamento e controle dos gastos e de consumo de energia, água e agora, mais recentemente, gás das edificações municipais. “Foi um processo muito colaborativo”, enfatiza.

Ainda na busca de soluções para a área de Gestão, o programa realizou a Gincana Energética na Escola Municipal Vicente Licínio Cardoso, localizada na Praça Mauá, no Rio de Janeiro. A atividade colaborativa mobilizou funcionários, professores, alunos, especialistas do CBCS e representantes da ENBPar – empresa executora do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel/MME),  e  identificou muitas oportunidades de melhoria da eficiência. Entre elas, uma economia de aproximadamente 30% no consumo de energia para o condicionamento de ar do ambiente, ao substituir alguns dos aparelhos com classe “E”, conforme  análises realizadas com base na Etiqueta Nacional de Conservação de Energia, do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), por modelos mais eficientes (Inverter) com classe “A”. E, no caso de troca por equipamentos com selo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) Ouro, a economia pode chegar a 50%.

Com base no levantamento realizado durante a gincana  e no resultado da pesquisa realizada nas escolas municipais em 2022, o Programa Cidades Eficientes produziu o guia Gestão de Energia e Água para Escolas Eficientes, que será distribuído pela Secretaria Municipal de Educação e poderá servir de modelo a outros municípios brasileiros.

De acordo com Pedro Rolim, assessor do Escritório de Planejamento, o trabalho desenvolvido pelo CBCS deixa uma base muito bem consolidada e, tecnicamente, bem elaborada, que poderá ser aplicada em futuros projetos. “Efetivamente, conseguimos transformar todos esses estudos, ferramentas e manuais em outras propostas concretas, seja nas escolas, seja em qualquer outro equipamento público, pois nos fornece visualizações de onde queremos chegar”, destaca.

Durante a exibição dos resultados, Maria Andrea Triana, coordenadora técnica do Programa Cidades Eficientes, enfatizou que esse foi o segundo ano de trabalho com a Prefeitura do Rio de Janeiro e, por isso, foi possível consolidar muitas ações e avançar ainda mais. Ela também destacou o apoio e fundamental engajamento do Escritório de Planejamento e da Secretaria Municipal de Educação. A reunião de apresentação dos resultados foi realizada no dia 18 de dezembro, na sede do Escritório de Planejamento e contou também com as presenças de Clarice Degani, diretora executiva do CBCS, e Giselle Bahiense Lyra, pesquisadora do Programa Cidades Eficientes. Do Escritório de Planejamento estiveram presentes, além de Daniel e Pedro, Aline Xavier, Coordenadora de Estratégias de Planejamento, Bruna Macciantelli, Gerente de Novos Modelos em Sustentabilidade e Resiliência, e os estagiários Ana Beatriz Pires, Felipe Furtado, Karen de Oliveira e Luis Felipe de Almeida. Da Secretaria de Educação, estavam presentes as professoras Luciana Costa e Leila Santos.

 

SOBRE O CIDADES EFICIENTES

Promovido pelo Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), o programa Cidades Eficientes desenvolve análises, estudos, ferramentas e sugere políticas públicas tais como a plataforma de gestão de consumo de energia e água, diretrizes para a elaboração de códigos de energia, recomendações para códigos de obras e guias de compras públicas que sejam mais sustentáveis para os municípios.

As ações foram iniciadas em 2018, com a primeira fase, respondendo à demanda crescente do setor público para aumentar sua eficiência no uso dos recursos. Nas quatro fases já realizadas ao longo deste período, diversos municípios já foram atendidos, em diferentes iniciativas: Balneário Camboriú, Concórdia, Itá, Zortéa, em Santa Catarina, com workshops para capacitação de gestores sobre eficiência energética, Sorocaba (SP) e Jaboatão dos Guararapes (PE), na fase piloto do programa, e estruturação de elementos de governança e políticas públicas nas cidades de Florianópolis (SC) e Rio de Janeiro (RJ), ambas realizadas em parceria com as prefeituras municipais.
Em 2024, em sua quinta fase de operação, o Cidades Eficientes escalou nacionalmente estratégias para a governança na gestão do consumo de energia, água e gás pelas edificações públicas municipais, com a realização do Workshop Mais Eficiência, Menos Consumo – que resultou na implementação da plataforma pelas prefeituras de Palmas (TO), Rio do Sul (SC) e Teresina (PI); deu continuidade nas medidas iniciadas nas prefeituras de Florianópolis e do Rio de Janeiro, promoveu requisitos para compras de baixo carbono em edificações públicas, e divulgou os resultados alcançados na promoção da eficiência energética e conservação da água nas edificações.

Entre as ações de 2024 também foram realizadas pesquisas nas escolas municipais de Florianópolis, Palmas e Teresina, e a publicação de uma carta aos candidatos aos cargos de prefeito e de vereador das cidades brasileiras nas eleições de 2024 com propostas para a criação de cidades mais sustentáveis e eficientes. As recomendações abordam a gestão do consumo de energia e água em edificações públicas municipais, compras públicas eficientes e a etiquetagem de eficiência energética para edificações.

Fotos: Allan Vilela / Prefeitura do Rio

Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) apresentou, no final de janeiro, o diagnóstico dos consumos de energia e de água em escolas municipais de Florianópolis para a Secretaria Municipal de Educação (SME). A iniciativa fez parte das ações realizadas pelo Programa Cidades Eficientes, promovido pelo CBCS com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), em parceria com a Prefeitura de Florianópolis em 2024, na quinta fase do programa. O resultado completo das ações será apresentado em fevereiro em evento ampliado aos gestores municipais.

Em relação às edificações escolares, o custo total de eletricidade das 126 edificações desta tipologia foi de R$ 3,7 milhões em 2023, o equivalente a 49% do custo registrado pelas 250 edificações municipais cadastradas no mesmo período, que totalizou R$ 7,6 milhões. Em relação ao consumo de água, a tipologia escolar representa 55% do total do consumo das edificações municipais cadastradas. O custo de água foi de R$ 1,8 milhão em 2023 nas 107 edificações desta tipologia analisadas.

Os dados são da Plataforma de Gestão de Consumo de Energia e de Água desenvolvida pelo CBCS e implementada pela Prefeitura de Florianópolis a partir de 2020, na segunda fase do Programa Cidades Eficientes. Com o cadastro das edificações municipais, categorizadas por tipologias e órgãos ou secretarias vinculadas, e as informações dos consumos individuais obtidos junto às concessionárias de energia e de água agora é possível monitorar o desempenho de todas as unidades cadastradas.

Em 2024, na quinta fase do programa, o CBCS retomou a parceria com a Prefeitura de Florianópolis implementando novas funcionalidades na plataforma. Entre outras ações desenvolvidas foi realizada uma pesquisa junto às escolas municipais de Florianópolis para identificação de oportunidades de eficiência energética e redução do consumo de água em relação a equipamentos, estrutura, manutenção e hábitos dos cerca de 41 mil usuários das edificações, entre estudantes, servidores e colaboradores.

 

Marcelo Salles Olinger, Maria Andrea Triana, Carolina Griggs, Cibele Assmann, Sheila Comiran e Eduardo Gutierres

“Com essas informações é possível gerenciar os consumos, estabelecer metas de redução e verificar o impacto das medidas adotadas. A mudança de hábitos, a priorização da ventilação natural, o uso do ar condicionado somente quando necessário, com temperatura ao redor de 24 graus Celsius, e a substituição de equipamentos por modelos mais eficientes são algumas das medidas que podem proporcionar economias significativas”, explica a arquiteta Maria Andrea Triana, coordenadora técnica do programa Cidades Eficientes. A apresentação foi feita por ela, no dia 22 de janeiro, ao secretário adjunto da SME, Eduardo Savaris Gutierres. Participaram também do encontro a arquiteta Sheila Comiran, da SME, a arquiteta Cibele Assmann, gerente de inovação da Secretaria Municipal de Planejamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, e o engenheiro civil Marcelo Salles Olinger, da mesma secretaria, e a pesquisadora Carolina Griggs, do CBCS.

“Quando a gente encontra dados e consegue compreender a realidade da nossa rede relativamente ao consumo de energia, de água e o uso eficiente desses recursos, isso é muito importante. Nós temos uma rede que trabalha muito, conscientiza muito. Precisamos ser exemplo para os nossos estudantes que todos os dias chegam às nossas unidades. Temos que mostrar para eles que conseguimos fazer um uso consciente”, disse Eduardo Gutierres. O secretário adjunto afirmou que, a partir da análise dos dados, pretende estabelecer metas de redução de consumo para as unidades, e destacou o potencial de multiplicação das medidas de conscientização junto aos estudantes. “Quando temos a cidade educada com preocupação socioambiental, com uso consciente de energia e de água, nós temos  uma cidade muito mais eficiente para os próximos anos, que eu tenho certeza que é a meta da nossa cidade”, ressaltou Eduardo.

Em Florianópolis, as ações do Programa Cidades Eficientes em 2024 envolveram, ainda, a atualização do Manual de Compras Eficientes e recomendações de política pública de incentivos de sustentabilidade para o setor comercial. O resultado completo das ações será apresentado aos gestores municipais em evento ampliado a ser realizado em fevereiro.

 

 

 

SOBRE O CIDADES EFICIENTES

Promovido pelo Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), o programa Cidades Eficientes desenvolve análises, estudos, ferramentas e sugere políticas públicas tais como a plataforma de gestão de consumo de energia e água, diretrizes para a elaboração de códigos de energia, recomendações para códigos de obras e guias de compras públicas que sejam mais sustentáveis para os municípios.

As ações foram iniciadas em 2018, com a primeira fase, respondendo à demanda crescente do setor público para aumentar sua eficiência no uso dos recursos. Nas quatro fases já realizadas ao longo deste período, diversos municípios já foram atendidos, em diferentes iniciativas: Balneário Camboriú, Concórdia, Itá, Zortéa, em Santa Catarina, com workshops para capacitação de gestores sobre eficiência energética, Sorocaba (SP) e Jaboatão dos Guararapes (PE), na fase piloto do programa, e estruturação de elementos de governança e políticas públicas nas cidades de Florianópolis (SC) e Rio de Janeiro (RJ), ambas realizadas em parceria com as prefeituras municipais.

Em 2024, em sua quinta fase de operação, o Cidades Eficientes escalou nacionalmente estratégias para a governança na gestão do consumo de energia, água e gás pelas edificações públicas municipais, com a realização do Workshop Mais Eficiência, Menos Consumo – que resultou na implementação da plataforma de gestão das edificações públicas  pelas prefeituras de Palmas (TO), Rio do Sul (SC) e Teresina (PI); deu continuidade nas medidas iniciadas nas prefeituras de Florianópolis e do Rio de Janeiro, promoveu requisitos para compras de baixo carbono em edificações públicas, e divulgou os resultados alcançados na promoção da eficiência energética e conservação da água nas edificações.

Entre as ações esteve a realização de pesquisas nas escolas municipais de Florianópolis, Palmas e Teresina, e a publicação de uma carta aos candidatos aos cargos de prefeito e de vereador das cidades brasileiras nas eleições de 2024 com propostas para a criação de cidades mais sustentáveis e eficientes. As recomendações abordam a gestão do consumo de energia e água em edificações públicas municipais, compras públicas eficientes e a etiquetagem de eficiência energética para edificações.